Eu não fazia ideia do que Aupair significava e a única coisa que pensei foi que seria brilhante a ideia de ir para um outro país. Quando se tem 25 anos e ganha super pouco trabalhando em uma escolinha de subúrbio a última coisa que você iria pensar seria visitar um outro país. Nessa época eu me sentia uma Maria ninguém, morava com a minha mãe e pensar em me mudar de lá parecia algo para um futuro bem distante., talvez um dia quando eu me casasse. Casamento... essa era outra coisa que parecia ainda mais distante. Eu estava em um relacionamento já haviam 3 anos e eramos muito novos pra pensar nisso, quer dizer, eramos pé rapados de dinheiro e casamento era uma palavra impossível de ser pensada.
Depois de muitos acontecimentos, chegou o grande dia de embarcar. A emoção era imensa e o medo também. Eu estava ali deixando para trás a minha família, os meus amigos, o meu mundo, as minhas lembranças e principalmente a minha mãe, a mulher que mais me apoia na vida. Aquele dia começava uma nova etapa cheia de novas aventuras em uma terra prometida. Falando sinceramente eu nunca achei que ficaria por aqui por muito tempo, olha que já se passaram 5 anos. Eu sai de casa pensando que em apenas um ano eu aprenderia tudo, falaria como uma nativa americana e voltaria para o Brasil com um excelente trabalho de interprete de uma multi nacional. A cada hora que eu passei dentro daquele avião eu tentava me acalmar repetindo para mim mesma que seria somente 1 ano e que passaria super depressa.
Tão inocente eu né?
Após 9 horas estreitas sem pausa para um lanchinho no "Frango Frito", chega-se o momento de colocar os pés em terra firme. Aterrizei em Nova York, um dos lugares mais visitado por pessoas do mundo todo. Eu cheguei linda, com os cabelos esvoaçantes e exalando um delicioso perfume pelo ar.... #sóquenão... cheguei acabada, com umas olheiras do tamanho do mundo que parecia que eu tinha ficado uma semana sem dormir e fedendo. A sensação a principio foi pavor, pois passar pela imigração é de se intimidar, imagina a americana que é um quartel general. O maior detalhe até ai é que eu não falava inglês. Será que se eu falasse somente "Hi, how are you, Do you speak English and the book is on the table", eles iriam me entender?
A primeira semana foi um desastre, eu só pensava em ir embora... não aguentava mais escutar as pessoas falando outra língua e elas nem eram a minha professora de inglês do meu cursinho. AHHHHH, eu queria fugir dali, era 9 horas de palestra, onde uma mulher lia e relia uma apostila em inglês, óbvio, com instruções do como uma Aupair deveria se comportar e agir durante o ano. Tivemos aula de primeiro socorros, de atividades para a primavera, verão, outono e inverno,, etc...O café da manhã era servido as 7 am e só íamos dormir entre 8 ou 9 pm da noite após o jantar. Todos os dias as cadeira eram contadas com o número correto de meninas e se uma estivesse faltando a aula não começava até que essa fosse encontrada. Até para ir ao banheiro você tinha que pedir permissão e se demorasse mais de 5 minutos, uma mulher vinha perguntar se você ainda estava viva lá dentro. Consequentemente os minutos perdidos achando a indivídua eram descontados no final do dia. Esse martírio terminou na sexta quando embarcamos para os lares da nossa futura família.
Meu ano de Aupair não foi nem perto ruim, eu tive muita sorte com a família e passei um ano e meio maravilhosamente abençoado. Não fiquei na família mais rica, mas fiquei na família mais liberal do mundo, onde eles entendiam que eu era maior de idade e da minha vida eu fazia o que eu bem entendesse. Eu ia e vinha, com o carro deles, pra onde eu quisesse. Eu sempre dei satisfação, pois assim como a minha mãe, eles poderiam se preocupar e eu achava que eu devia isso à eles. Meu ano de Aupair terminou em Dezembro de 2013.
Em Novembro desse mesmo ano eu conheci o homem que um dia eu chamaria de marido.
Nenhum comentário:
Postar um comentário