quinta-feira, 25 de abril de 2024

Infelizmente o dia chegou!

 Como diz o ditado, basta estar vivo para morrer. Infelizmente o dia no qual eu mais temia, chegou! A Shayla morreu.

Eu passei uma semana pensando se eu deveria ou não deixar esse registro por aqui ou não, pois são memórias que me doem muito. Ao mesmo tempo, eu acho que alguns anos mais tarde, vai ser algo útil, pois vou lembrar dos detalhes de como que tudo aconteceu.

Em uma linda e ensolarada tade de Abril de 2024 um anjo subiu aos céus. Em fevereiro nós descobrimos um câncer maligno no nariz e desde de então ela vinha sofrendo por não ser mais ela mesma. A bola que ela tanto amava, já não fazia mais sentido, a comida que ela tanto gostava já não tinha mais sabor, o sol que ela adorava se aquecer, já não era mais quente e os passeios que ela amava, já eram cansativos demais. E assim ela se foi.... fechando mais um ciclo e cumprindo essa linda missão que Deus deu à ela. Obrigada por nos amar tanto Shayla! Você foi e sempre será a primeira cachorra que eu tive o prazer de chamar de minha filha, a primeira cachorra que eu amei inincondicionalmente, a primeira cachorra que foi a minha companheira de todas as horas. Apesar de tudo, eu só tenho à agradecer você por me ensinar o que é o amor.
Rest in Peace!
We love you so much good girl!

Esse foi o texto que eu escrevi no fatídico dia 16 de abril de 2024. Mas vamos voltar um pouco no tempo antes desse dia.
No sábado que antecedeu a Páscoa, o Eric levou a Shayla e a Sasha para passear na nossa vizinhança. Quando eles estavam votando do passeio, eles encontraram com os vizinhos e o Eric parou para conversar com eles e contar o que estava acontecendo com a Shayla. Ela como sempre amável e brincalhona, ficou empolgada com os vizinhos e isso fez com que ela espirrasse muito e jatos de sangue começaram a vazar do seu nariz. O episódio foi tçao grande, que o Eric pegou a mangueira para lavar a calçada cheia de sangue do vizinho. Nesse mesmo dia, eu havia levado a Lyric para fazer uma atividade de páscoa em um parque próximo à casa e quando voltamos, eu percebi que a Shayla estava com dificuldades de apoiar o pé no chão. A Shayla sempre foi afobada e estabanada quando ela estava muito feliz, então, apesar do Eric relatar que nada de diferente aconteceu no passeio para que ela pudesse machucar o pé, eu pensei que ela teria feito algo e por isso ela esta mancando.

Os dias foram se passando e ela continuava com dificuldades para caminhar muito. Eu na minha inocência, tentei colocar gelo, para que talvez, o "inchaço" sumisse e ela pudesse andar melhor, mas nada acontecia. Ela tomava diariamente e 2x ao dia um remédio de dor, mas isso também não colaborou com a pata dela.

Em uma quinta-feira, dia 11 de abril, nós decidimos levar ela na veterinária, pois a perna dela direita, a da pata machucada, estava muito inchada. Parecia que ela tinha elefantíase. O inchaço era estremamente preocupante. A veterinãria checou a perna dela e disse que infelizmente era o câncer se alastrando e que nada ela poderia fazer para amenizar a dor da Shayla, nem drenar aquele líquido seria possível. Voltamos para casa com um sentimento de derrota. Não havia mais nada que nós poderiamos fazer por ela, somente rezar. A essa altura do campeonato, eu rezava para que Deus a levasse embora, pois a última coisa que eu queria ver era ela sofrer mais do que jã estava sofrendo.

Nessa mesma semana, ela começou a babar. Muitas vezes ela se sentava na cama dela que desciamos para ela descansar no andar de baixo, junto com a família, e ela com a boca fechada começava a babar. Ela deixou de querer comer a ração, então passamos a a dar somente a comida molhada. Hoje, eu entendo que como o câncer havia se espalhado, muito provavelmente, ela estava com um câncer bucal, por isso a falta de apetite e a baba. Quem conheceu a Shayla, sabe muito bem o quanto ela era boa de boca. mão havia tempo ruim pra ela quando o assunto era comida. Em janeiro de 2023, ela operou os dois joelhos de uma vez só e tomava remédios muitos fortes para suportar a dor e mesmo assim, deixar de comer não era uma opção.

Quando voltamos da veterinária, eu e o Eric decidimos que se ela amanhecesse igual ela estava nesse dia, nós iriamos levar ela para dormir, pois esse era o sinal que sempre esperávamos dela. O Eric dizia: "o sinal será quando ela não quiser mais comer" e nessa quinta-feira ela nem a comida molhada aceitou.

Umas amigas quiseram vir se despedir dela, então marcamos para o dia seguinte, sexta, dia 12 de abril de 2024. Quando eu acordei, eu recebi uma mensagem de uma amiga do Brasil, perguntando se a gente iria se despedir mesmo dela naquela sexta. A minha resposta foi: "Sim, a não ser que um milagre aconteça e ela acorde bem, que elas desça as escadas por vontade própria e aceite comer sem nenhum problema". Eu coloquei o telefone de lado e fui ao banheiro. Para a minha surpresa, ao sair do baneiro, a Shayla estava lá embaixo bebendo água. Ahhh, detalhe, ela sentia muita sede. Eu nem acreditei quando vi, para mim aquilo tinha sido um milagre! Minha amiga chegou com a sua filhinha e a Shayla ficou muito feliz. Ela teve vontade de deixar no jardim. Fazia um dia lindo de sol e calor. As crianças brincaram la fora no pula-pula e ela ficou ali, perto da gente acompanhando tudo. Ela até comeu pão de queijo.

Sábado, dia 13 de abril, as coisas voltaram a ficar piores. A perna dela estava machucando tanto por causa do inchaço, que durante a noite, ela começou a lamber, tentando curar e acabou abrindo uma ferida. Nós sabenos que quando se tem câncer, os machucados não cicatrizam e assim, a partir daquela ferida a perna dela começou a drenar e relativamente ficou melhor. Nós tinhamos que trocar o bandeide de 2o em 20 min e ele enchia tão rápido que incomodada ela e ela arrancava e voltava a lamber a ferida. Nesses últimos dias, ela infelizmente teve que ficar em um cárcere privado dentro de casa e na cozinha, pois o chão da cozinha era o mais fácil de limpar e ficava perto das coisas que ela precisava, água e comida e também ela estava perto da gente, assim poderiamos vigiar ela e o machucado facilmente.

A partir desse dia a minha vida ficou mais complicada, eu tinha que me dividir em diversas partes, passear com a Sasha que estava ali sofrendo sem atenção e sem entender direito o que estava acontecendo com a irmã dela, dar atenção para a Lyric de 3 anos, dar atençao para os gatos, cuidar dos serviços de casa, estudar para o show com a banda Iron Prophecy que iria acontecer na próxima semana e principalmente cuidar da Shayla. Trocar o bandeide diversas vezes por dia, oferecer água, comida, dar os remédiose principalmente seguir ela toda vez que ela ia beber água, pois ela pingava sangue da perna e espirrava sangue pelo nariz. Fora que aproveitar os últimos momento que eu sabia que estavam por vir.

Domingo e segunda-feira os dias foram iguais. Não haviam melhoras, mas eu sabia que ela estava sofrendo, apesar de estar lúcida. Ela prestava atenção em tudo o que acontecia na casa. Ela atendia toda vez que falavamos o seu nome e escutava muitíssimo bem a palavra tomate e levantava pra comer. Tomate foi uma das únicas coisas que ela nunca deixou de comer e de se animar com a palavra tomate.

Terça-feira, dia 16 de abril de 2024, eu estava exausta. Eu sei que não é sobre mim, mas sim sobre ela e ela estava sofrendo. Eu levei a minha mãe no dentista e na volta eu sentia que algo deveria ser feito. Eu conversava com o Eric no telefone e ele não me dava um resposta, uma decisão sobre terminar com o sofrimento dela. Ela estava igual desde de sábado, com excessão à perna dela que estava menos inchada, mas continuava sangrando. Eu decidi ligar para uma outra amiga e contar tudo, exatamente tudo isso que eu escrevi, tim-tim por tim-tim. Contei que eu estava angustiada sobre estar fazendo a coisa certa ou não. A Shayla sempre foi muito animada e festeira e esses últimos dias, ela tinha um olhar triste. Na sexta, dia 19 eu e o Eric iriamos tocar em Oregon e passar o final de semana lá e a minha mãe iria ficar sozinha com a Lyric e todos os animais. Uma das minhas preocupação era que a minha mãe não iria dar conta de tudo sozinha e a principal preocupação era de que nesses 3 dias de ausência, a Shayla partisse e eu não iria consegir me despedir dela, ou estar ali do lado dela, caso ela estivesse agonizando ou algo do tipo.

Aquela terça era o dia que tudo deveria acontecer, pelo bom maior de toda a familia. Então, eu tive que deixar a minha criança de lado e sozinha tomar a decisão. Eu tive o apoio do Eric, mas a decisão teve de ser tomada por mim. Essa vida de adulto é muito complicada. Você um dia ama incondicionalmente um animal, aquela que foi a sua primeira cachorra, a sua primeira bebê, a sua primeira filha, a sua companheira fiel. Aquela que pulava de alegrai com a sua chegada, que te deu apoio nos momentos de dor e de doença e no outro dia, você tem que decidir colocar ela para dormir pois não haveria nunca mais uma cura para ela. Eu tive ue perceber que aquele era o ponto final e que de lá pra frente só seria ladeira abaixo.

Ela estava podre por dentro. O cheiro que ela exalava era um cheiro de morte. Aquela não era mais a minha alegre Shayla. Ela não fazia mais o que ela sempre fez como me seguir. Uma semana antes desse dia 16 de abril, ela teve umas atitudes estranhas. por alguns dias, ela queria so ficar perto de mim. Deitava do meu lado da cama no chão, me seguia toda vez que eu ia usar o banheiro. Acho que ela já sabia o que estava acontecendo e queria de uma certa forma, fazer mais uma vez o que ela amava fazer. Depois desses dias, ela já não tinha forças pra ficar subindo e descendo escadas milhares de vezes ao dia.

E assim chega ao dia 16 de abril, mas isso eu vou contar em um próximo post, pois esse sim foi o dia mais difícil e dolorido que eu ja passei nessa minha vida.

Ps: desculpa se eu cometi erros gramáticais. As lágrimas não me deixaram ver 100% o que eu estava escrevendo e revisar o texto vai me trazer muito sofrimento.


Essa é onde a cama dela onde ela passava a maior parte do tempo, na cozinha.


Essa é a foto do machucado da perna.

A perna direita dela super inchada

Última vez que ela quis deitar no jardim, no dia12 de abril de 2024. Antes do ferimento da perna.