quinta-feira, 18 de maio de 2017

A vida depois de Aupair

Depois que sai da casa da família com quem vivi por um ano e 6 meses eu fui morar na casa de um brasileiro que me ajudou por esse tempo. Ele foi muito importante e peça fundamental para tudo ter acontecido da forma como aconteceu. Muitos que conhecem a história toda podem achar que eu sou louca de pensar assim, mas com tempo e amadurecimento, hoje eu olho pra trás e só agradeço, pois se ele não tivesse aberto as portas da casa dele por 5 meses, eu estava perdida e vivendo na rua e se ele não tivesse aberto as portas da casa dele para me expulsar, talvez eu pudesse não estar casada hoje. 

Como eu estava dizendo no post anterior, eu conheci o homem que eu chamaria de marido um mês antes do meu visto terminar. Pode ser sorte, pode ser coincidência, sei lá... só sei que tudo deu certo. Me mudei para a casa desse conhecido e estava tão perdida.... é mais ou menos como sair da casa dos seus pais, com a geladeira cheia, roupa lavada e passada e conforto que eles te providenciam e ir para uma nova casa sem mobília, sem nada e não ter nenhum caminho pra seguir. Sai de lá com os meus objetos pessoais, $800 dólares, desempregada com uma mão na frente e outra atrás.

Eu só pensava que eu deveria arrumar um emprego o mais rápido possível e fazer com que esse dinheiro rendesse. Nunca achei que conseguir um emprego de babá fosse ser tão complicado, mas estava firme, forte e confiante. Os dias foram passando e o que me acalmava era saber que na semana eu estava pelo menos fazendo algum dinheiro. Nessa época eu estava dando aulas de português para as filhas de uma brasileira e por mais que eu dirigisse 1h para chegar até a casa delas e ganhasse somente $25 dólares, eu me divertia e não ligava.

Tudo era muito novo pra mim... no Brasil eu não tinha carro e dirigia o da minha mãe as vezes. Depois que me mudei para os EUA, eu dirigia o carro da família, que literalmente era só meu. Isso era muito louco e muito além da minha realidade.... quando você vai pensar que conseguiria comprar um carro, com um salário de babá.... agora, você pode imaginar fazer tudo isso em outro país? AHHHH, claro que não posso deixar de dar uma informação muito importante... minha mãe me emprestou dinheiro pra fazer isso. Aqui, você pode comprar um carro e pagar em suaves prestações, mas nessa época eu não tinha nenhum crédito no país e sem crédito você não pode fazer isso.

Demorou quase um mês para eu conseguir um emprego... tive algumas entrevistas, mas nada concreto. Nesse tempo, eu consegui economizar os $800 dólares e sobreviver com comida. O que me salvou também, foi o meu marido, nessa época nós namorávamos e nos finais de semana ele basicamente me alimentava. Tive muita sorte nesse tempo e esse emprego de babá que consegui foi o mais apaixonante de todos, o único problema é que ela só precisava de ajuda com as crianças duas vezes na semana e eu precisa trabalhar bem mais horas que isso pra conseguir pagar as minhas contas.

Passado um tempo, eu amava as crianças e era reciproco, pois continuamos com a amizade até hoje. Infelizmente eu tive de sair de lá por dinheiro.... consegui uma família que precisava de 3 vezes na semana e isso significava $100 dólares a mais na minha semana... EBAAAA...... Em maio desse mesmo ano, o meu marido (namorado na época) estava indo para um festival de música no Alabama e eu super queria ir, mas sem condições financeiras para isso. Um dia ele fez os cálculos e percebeu que se ele dirigisse sairia mais barato do que se ele pagasse a minha passagem de avião. Enfim, ele me levou para um festival de música, me levou para casa da mãe dele e depois paramos na casa do pai.... em apenas uma viagem eu basicamente conhecia a família toda.

No segundo dia dessa viagem, algo bem importante aconteceu e mudou totalmente o rumo de nossas vidas. O brasileiro que gentilmente cedeu um quarto no apartamento dele para eu morar (claro que pagava aluguel pra ele), decidiu me colocar para fora da casa dele. Ele encontrou cupim no apartamento e descobriu que o cupim vinha da cama que eu dormia e assumiu que eu havia colocado o cupim na casa dele. O maior detalhe é que essa cama já existia no apartamento quando eu me mudei, pois pertencia ao antigo colega de quarto dele. Eu sugeri que ele contratasse um serviço para exterminar os cupins, mas ele não quis conversa e disse que depois que eu voltasse, ele queria que eu me retirasse da casa dele. 

Eu entrei em desespero, mas nessas semanas que estávamos no Alabama, eu estava sem trabalhar e consequentemente sem dinheiro, como iria entrar em um aluguel com alguém, ou pelo menos poder dar um dinheiro de entrada. O que que pensei antes da viagem foi adiantar as minhas contas e juntar um dinheiro para ajudar com a gasolina e o restante eu conseguia na semana seguinte após a minha volta, pois recebia por semana. O meu marido vendo o meu desespero disse que eu poderia morar com ele, já que ele também iria alugar um apartamento quando voltasse.

Pra você ver como "eu sou privilegiada por Deus" (palavras de uma amiga da minha mãe)... chame como quiser se você não acredita em Deus... o universo estava soprando o vento ao meu favor e eu não podia reclamar. Meu marido teve uma péssima experiência com a ex namorada que moraram juntos por mais de 4 anos e não queria tão cedo entrar em uma relação tão séria assim e no entanto, foi ele quem sugeriu que fossemos morar juntos.

Depois de 6 meses de namoro, nós fomos morar juntos.....

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Continuando...

Eu não fazia ideia do que Aupair significava e a única coisa que pensei foi que seria brilhante a ideia de ir para um outro país. Quando se tem 25 anos e ganha super pouco trabalhando em uma escolinha de subúrbio a última coisa que você iria pensar seria visitar um outro país. Nessa época eu me sentia uma Maria ninguém, morava com a minha mãe e pensar em me mudar de lá parecia algo para um futuro bem distante., talvez um dia quando eu me casasse. Casamento... essa era outra coisa que parecia ainda mais distante. Eu estava em um relacionamento já haviam 3 anos e eramos muito novos pra pensar nisso, quer dizer, eramos pé rapados de dinheiro e casamento era uma palavra impossível de ser pensada.

Depois de muitos acontecimentos, chegou o grande dia de embarcar. A emoção era imensa e o medo também. Eu estava ali deixando para trás a minha família, os meus amigos, o meu mundo, as minhas lembranças e principalmente a minha mãe, a mulher que mais me apoia na vida. Aquele dia começava uma nova etapa cheia de novas aventuras em uma terra prometida. Falando sinceramente eu nunca achei que ficaria por aqui por muito tempo, olha que já se passaram 5 anos. Eu sai de casa pensando que em apenas um ano eu aprenderia tudo, falaria como uma nativa americana e voltaria para o Brasil com um excelente trabalho de interprete de uma multi nacional. A cada hora que eu passei dentro daquele avião eu tentava me acalmar repetindo para mim mesma que seria somente 1 ano e que passaria super depressa. 

Tão inocente eu né? 
Após 9 horas estreitas sem pausa para um lanchinho no "Frango Frito", chega-se o momento de colocar os pés em terra firme. Aterrizei em Nova York, um dos lugares mais visitado por pessoas do mundo todo. Eu cheguei linda, com os cabelos esvoaçantes e exalando um delicioso perfume pelo ar.... #sóquenão... cheguei acabada, com umas olheiras do tamanho do mundo que parecia que eu tinha ficado uma semana sem dormir e fedendo. A sensação a principio foi pavor, pois passar pela imigração é de se intimidar, imagina a americana que é um quartel general. O maior detalhe até ai é que eu não falava inglês. Será que se eu falasse somente "Hi, how are you, Do you speak English and the book is on the table", eles iriam me entender?

A primeira semana foi um desastre, eu só pensava em ir embora... não aguentava mais escutar as pessoas falando outra língua e elas nem eram a minha professora de inglês do meu cursinho. AHHHHH, eu queria fugir dali, era 9 horas de palestra, onde uma mulher lia e relia uma apostila em inglês, óbvio, com instruções do como uma Aupair deveria se comportar e agir durante o ano. Tivemos aula de primeiro socorros, de atividades para a primavera, verão, outono e inverno,, etc...O café da manhã era servido as 7 am e só íamos dormir entre 8 ou 9 pm da noite após o jantar. Todos os dias as cadeira eram contadas com o número correto de meninas e se uma estivesse faltando a aula não começava até que essa fosse encontrada. Até para ir ao banheiro você tinha que pedir permissão e se demorasse mais de 5 minutos, uma mulher vinha perguntar se você ainda estava viva lá dentro. Consequentemente os minutos perdidos achando a indivídua eram descontados no final do dia. Esse martírio terminou na sexta quando embarcamos para os lares da nossa futura família.

Meu ano de Aupair não foi nem perto ruim, eu tive muita sorte com a família e passei um ano e meio maravilhosamente abençoado. Não fiquei na família mais rica, mas fiquei na família mais liberal do mundo, onde eles entendiam que eu era maior de idade e da minha vida eu fazia o que eu bem entendesse. Eu ia e vinha, com o carro deles, pra onde eu quisesse. Eu sempre dei satisfação, pois assim como a minha mãe, eles poderiam se preocupar e eu achava que eu devia isso à eles. Meu ano de Aupair terminou em Dezembro de 2013. 

Em Novembro desse mesmo ano eu conheci o homem que um dia eu chamaria de marido.